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domingo, 26 de fevereiro de 2012

Comunicação Empresarial, Ética e Gestão do Conhecimento: o dito pelo não dito

(By Carmen Fonseca)

O futuro será das empresas que pensarem mais nas pessoas do que em si mesmas (Ben Van Schaik, ex-presidente da Daimler-Chrysler/Mercedes-Benz do Brasil).
...Se uma mudança estratégica ou uma crise interferem diretamente na atuação do funcionário, a transparência, a honestidade e a ética são fundamentais, pois, sem elas, dificilmente a empresa conseguirá o engajamento dos seus colaboradores na busca de soluções. (Gustavo Gomes de Matos)
A maioria das empresas prefere resolver as crises de portas e bocas fechadas. A direção resolve e ninguém fica sabendo. Algumas vezes dá certo, mas, quase sempre, o resultado é medíocre e o problema retorna pior do que antes (Gustavo Gomes de Matos).

Quem na infância já brincou de telefone sem fio?
Pois é, o processo de comunicação nas empresas é umas das grandes queixas dos profissionais atualmente. Como na brincadeira do telefone sem fio, uma informação que sai de uma ponta (emissor), quando é mal circulada, chega completamente diferente na outra ponta (receptor). O interessante é que chega atendendo a determinados interesses. É possível!?! Sim. Por isso os colaboradores reclamam, dizem que a informação não circula e que a notícia raramente chega da forma real. Os “ruídos” no caminho a tornam, muitas vezes, dolorosa para quem está recebendo e que a “rádio peão” ou “rádio corredor”, processo informal da comunicação interna, é mais forte do que o processo formal. Francisco Gomes de Matos diz que “a consequência natural de uma comunicação deficiente ou ausente é o boato. Quando a administração não oferece respostas os funcionários inventam-nas”.
Informação empresarial, hoje, é conhecimento. E pode ser um grande diferencial de competitividade para as empresas.
Os atuais gestores precisam lembrar, ainda, que a comunicação não está separada das questões éticas, porque ela exerce grande influência na formação e manutenção dos valores, credibilidade e identidade institucional. Ter ética na comunicação empresarial é pautá-la na verdade, procurando sempre ter respeito aos diversos públicos de interesse da organização (stakeholders) e compromisso com a sociedade e meio ambiente. Outro fator importante é que a comunicação não venha a atender públicos direcionados, ou seja, comunica-se o que é “pertinente” e para determinado segmento. Grande erro. Com isso existe o risco maior da comunicação informal prevalecer sobre a formal. Segundo Maquiavel, em O Príncipe: é ético o que interessa ao bem comum e não o que interessa meramente ao príncipe.
Nas empresas em que a comunicação circula fluentemente há o favorecimento de um bom ambiente de trabalho e manutenção de uma clientela fiel, além de fortalecer a imagem institucional.
Atualmente, na chamada Era do Conhecimento, o grande desafio das empresas é incentivar a circulação da informação e conhecimento entre os funcionários e entre as áreas de trabalho. Segundo Gustavo Gomes de Matos, os conflitos, brigas e disputas internas, entre diretores, gerentes e funcionários, são consequências comuns nas empresas que desconsideram a importância do diálogo. A diversidade de pensamento contribui para o enriquecimento da criatividade da empresa na busca de soluções e inovações. Pessoas com pontos de vista diferentes podem trabalhar juntas e integradas por objetivos comuns. Comunicação é vida, é emoção, é sentimento, é plenitude humana. Pessoas e empresas que compreendem a essência dessa mensagem costumam ser bem-sucedidas em suas áreas de atuação.

            O incentivo à cultura do diálogo é muito importante, como também práticas de gestão do conhecimento que busquem a circulação da informação, que atualmente é estratégica para a empresa. Tais práticas podem ser: - projetos de Portais Corporativos; - programas de Aprendizagem Organizacional e crescimento contínuo; - sistemas de Inteligência Empresarial; - projetos de Universidades Corporativas; - implementação de Comunidades de Práticas, dentre outras.

            Destacam-se também atitudes comunicativas, tanto dos líderes como dos colegas, que podem se resumir nos seguintes aspectos: - estimular nas pessoas o sentimento de pertencimento; - criar um clima que estimule os desafios e a criatividade; - cuidar da equipe e inspirar entusiasmo; - respeitar as diferenças individuais e as diversidades culturais; - elogiar e dar feedback às pessoas; - ser flexível; e - manter o autocontrole, lidando adequadamente com seus sentimentos e com os das outras pessoas


O papel da liderança 
Atribui-se a Frank Sinatra a frase: se você não puder dizer algo agradável, não fale, é o meu conselho. Como seria bom que alguns líderes soubessem disso. Incrível são os que não favorecem o diálogo e quando tentam, só fazem estressar mais o processo. São dignos de pena! Mas os funcionários sofrem as consequências. E como!
Na empresa, de nada vale produzir um jornal, folder ou revista para os funcionários, ter um sistema de rádio ou tv corporativa, uma intranet bem estrutura, se as lideranças não se entendem, não se respeitam e não respeitam os colaboradores. Muitos dos problemas organizacionais estão ligados à desvalorização do relacionamento humano.
Não há sucesso na implantação de práticas gerenciais se os líderes não se comprometerem e se envolverem, ou seja, patrocinarem seu desenvolvimento em busca do sucesso de todos. Com práticas de comunicação não é diferente. A boa comunicação tem que fazer parte da “agenda” dos gestores. Ações que busquem a transparência e o sucesso de um ambiente favorável à comunicação interna, dependem de lideranças engajadas em promover e consolidar a cultura do diálogo.
A transparência das ações, a honestidade de propósitos e a ética corporativa trafegam pelo caminho da abertura para a comunicação. Os gerentes não estão na posição que ocupam apenas para dar ordens, mas para OUVIR o que o funcionário diz e procurar gerar um clima de envolvimento e motivação pelo trabalho.
Quando um colaborador recebe uma orientação, às vezes mal redigida ou mal verbalizada e não tem possibilidade de questionar, as consequências são ruins, tanto para o profissional como para a empresa. A comunicação não é uma via de mão única, deve existir, acima de tudo, o diálogo. Essa prática pode criar laços entre os gestores e suas equipes e entre os colegas de trabalho. Afinal, todos estão em busca de um objetivo comum.
Segundo Gustavo Gomes de Matos, a falta do diálogo, de abertura à conversação, de uma estimulante troca de ideias, impressões e sentimentos são, sem dúvida alguma, o que mais prejudica o funcionamento de organizações. Num ambiente em que haja comunicação e diálogo, existe motivação para superar desafios e metas. Quando existe uma relação de confiança e de entendimento entre gestor e funcionários, uma crise pode servir para unir e motivar as pessoas a encontrar soluções e novas ideias, capazes de transpor os mais difíceis obstáculos.

Concluindo, uma empresa que busca ser competitiva, socialmente responsável e transparente em seus atos, deve desenvolver a ética da comunicação plena e integral. Lembrando sempre que o sucesso empresarial é o objetivo de todos, lideres e funcionários.
Quando a empresa não preza por esse diálogo e pela busca da comunicação eficaz as notícias fluem de maneira errônea, as pessoas são prejudicadas e sentem-se desmotivadas. E quando vão à busca da informação correta não tem quem explique ou esclareça e fica o dito pelo não dito!
  

Referências
-CEZAR, Carlos Henrique. Nada substitui o diálogo. In DAMANTE, Nara e LOPES, Marcelo. Comunicação Empresarial, ano 12, n. 45, 2002.
-Artigo: Comunicação e motivação: uma questão de relacionamento humano (Gustavo Gomes de Matos)
-Matos, Gustavo Gomes de. A Cultura do Diálogo. Editora Campus / Elsevier

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