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terça-feira, 12 de março de 2013

O Tesouro de Bresa e o Ciclo de Melhoria Contínua aplicados à busca pelo conhecimento (Carmen Lúcia Couto)






         Quando se lê o título dessa publicação, logo vem a pergunta: o que tem a ver a fábula de um homem que procura um tesouro, com a melhoria contínua e a busca pelo conhecimento? Observa-se, porém, nessa referida fábula a essência da MELHORIA CONTÍNUA e incorporação da maior riqueza (tesouro) que o ser humano pode adquirir: o CONHECIMENTO.
De acordo com Davenport e Prusak (1988, p. xv) “a única vantagem que uma empresa tem é aquilo que ela coletivamente sabe, a eficiência com que ela usa o que sabe e a prontidão com que ela adquire e usa novos conhecimentos.”
Ao se substituir a palavra empresa por “ser humano”, observa-se que o conhecimento é, sem dúvida, a grande vantagem competitiva que se tem diante dos desafios de mercado e, como ninguém pode tirá-lo do “dono”, é um patrimônio que será eterno. Mas para que essa riqueza aumente deve-se passar por um processo diário de melhoria contínua (a aprendizagem contínua). Ao se melhorar num aspecto (comportamental, intelectual ou mesmo no visual) é necessário analisá-lo e estudá-lo, buscando aperfeiçoá-lo mais ainda. É um processo cíclico. Quando se participa de um curso hoje, amanhã já procura-se temas mais atuais para aumentar o tesouro e assim continuamente.
Quando se fala em melhoria contínua, não se pode deixar de associar à grande ferramenta que é aplicada aos processos na empresa e à própria vida pessoal/profissional (por que não?), que é o Ciclo PDCA.
O ciclo PDCA, idealizado por Walter Shewhart (americano e conhecido como pai do controle estatístico de qualidade) e efetivamente aplicado e popularizado no Japão após a segunda guerra por Edward Deming (americano que a partir de 1950, ensinou aos altos executivos como melhorar projeto, qualidade de produto, teste e vendas e fez grandes contribuições ao Japão).
 O PDCA tem por princípio tornar mais claros e ágeis os processos envolvidos na execução da gestão como, por exemplo, na gestão da qualidade. 
Na empresa, o PDCA é aplicado principalmente nas normas de sistemas de gestão e deve ser utilizado de forma a garantir o sucesso nos negócios, independentemente da área ou departamento da empresa.
Na vida, pode-se aplicar o ciclo como um apoio à análise das ações diárias, bem como, na melhoria do aprendizado do dia-a-dia.
            O ciclo inicia pelo planejamento, em seguida a ação ou conjunto de ações planejadas são executadas, checa-se se o que foi feito estava de acordo com o planejado, constantemente e repetidamente (ciclicamente), e toma-se uma ação corretiva para eliminar ou ao menos mitigar defeitos no produto ou na execução. A seguir uma figura, demonstrando o Ciclo PDCA (Campos, 1996).

 Os passos são os seguintes:
Plan (planejamento): Estabelecer missão, visão, objetivos (metas), procedimentos e processos (metodologias) necessários para se atingir os resultados.
Do (execução): Realizar, executar as atividades.
Check (verificação): Monitorar e avaliar periodicamente os resultados, avaliar processos e resultados, confrontando-os com o planejado, objetivos, especificações e estado desejado, consolidando as informações, eventualmente confeccionando relatórios.
Action (ação) : Agir de acordo com o avaliado e de acordo com os relatórios, eventualmente determinar e confeccionar novos planos de ação, de forma a melhorar a qualidade, eficiência e eficácia, aprimorando a execução e corrigindo eventuais falhas. 
Na fábula a seguir pode-se observar a aplicação da melhoria contínua no processo de “busca ao tesouro”, pelo alfaiate Enedim.
Primeiro, o foco: vir a ser riquíssimo.

Fases do Ciclo:

P = Planejar – pode ser associado a: Enedim tratou de examinar, sem demora, o bem que havia adquirido...

D = Executar - decifrar todas as páginas daquele livro.

C = Checar – ver se todo seu aprendizado serviu para aplicar em alguma ação (descobrir o tesouro).

A = Agir Corretivamente – cada vez que checava, via que tinha que aprender mais para atingir seu foco.

         E com isso, o Enedim, atingiu (mesmo sem saber, em princípio) o que ele queria, ficar rico. Ocupando os cargos por meio da aplicação do seu grande tesouro: o conhecimento.

Agora leiam a fábula, analisem e estabeleçam suas próprias conclusões.

 Tesouro de Bresa

Houve outrora, na Babilônia, um pobre e modesto alfaiate chamado Enedim, homem inteligente e trabalhador, que não perdia a esperança de vir a ser riquíssimo. Como e onde, no entanto, encontrar um tesouro fabuloso e tornar-se, assim, rico e poderoso?

Um dia, parou na porta de sua humilde casa um velho mercador da Fenícia, que vendia uma infinidade de objetos extravagantes. Por curiosidade, Enedim começou a examinar as bugigangas oferecidas, quando descobriu, entre elas, uma espécie de livro de muitas folhas, onde se viam caracteres estranhos e desconhecidos. Era uma preciosidade aquele livro, afirmava o mercador, e custava apenas três dinares.
Era muito dinheiro para o pobre alfaiate, razão pela qual o mercador concordou em vender-lhe o livro por apenas dois dinares.

Logo que ficou sozinho, Enedim tratou de examinar, sem demora, o bem que havia adquirido. E qual não foi sua surpresa quando conseguiu decifrar, na primeira página, a seguinte legenda: "O segredo do tesouro de Bresa." Que tesouro seria esse?

Enedim recordava vagamente de já ter ouvido qualquer referência a ele, mas não se lembrava onde, nem quando. Mais adiante decifrou: "O tesouro de Bresa, enterrado pelo gênio do mesmo nome entre as montanhas do Harbatol, foi ali esquecido, e ali se acha ainda, até que algum homem esforçado venha encontrá-lo.”

Muito interessado, o esforçado tecelão dispôs-se a decifrar todas as páginas daquele livro, para apoderar-se de tão fabuloso tesouro. Mas, as primeiras páginas eram escritas em caracteres de vários povos, o que fez com que Enedim estudasse os hieróglifos egípcios, a língua dos gregos, os dialetos persas e o idioma dos judeus.

Em função disso, ao final de três anos Enedim deixava a profissão de alfaiate e passava a ser o intérprete do rei, pois não havia na região ninguém que soubesse tantos idiomas estrangeiros.
Passou a ganhar muito mais e a viver em uma confortável casa.

Continuando a ler o livro, encontrou várias páginas cheias de cálculos, números e figuras. Para entender o que lia, estudou matemática com os calculistas da cidade e, em pouco tempo, tornou-se grande conhecedor das transformações aritméticas. Graças aos novos conhecimentos, calculou, desenhou e construiu uma grande ponte sobre o rio Eufrates, o que fez com que o rei o nomeasse prefeito.

Ainda por força da leitura do livro, Enedim estudou profundamente as leis e princípios religiosos de seu país, sendo nomeado primeiro-ministro daquele reino, em decorrência de seu vasto conhecimento.
Passou a viver em suntuoso palácio e recebia visitas dos príncipes mais ricos e poderosos do mundo.
Graças ao seu trabalho e ao seu conhecimento, o reino progrediu rapidamente, trazendo riquezas e alegria para todo seu povo.

No entanto, ainda não conhecia o segredo de Bresa, apesar de ter lido e relido todas as páginas do livro.
Certa vez, então, teve a oportunidade de questionar um venerando sacerdote a respeito daquele mistério, que sorrindo esclareceu:
- O tesouro de Bresa já está em seu poder, pois graças ao livro você adquiriu grande saber, que lhe proporcionou os invejáveis bens que possui. 
Afinal, Bresa significa "saber".



"Nós somos o que fazemos repetidamente. Portanto, a excelência não é um ato, mas um hábito”. Aristóteles

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Imagens: Google imagens

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