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sexta-feira, 23 de março de 2012

De onde vem algumas expressões populares? (Parte V)

Leiam mais algumas expressões interessantes da linguagem que circulam entre nós e que marcam a riqueza histórica de nossa língua. Hoje publico a quinta parte de uma série de sete. Uma das principais fontes de pesquisa foi o  Site do Prof Nélson Sartori que resgata os conceitos de revistas especializadas como LÍNGUA PORTUGUESA – Ed. SEGMENTO e AVENTURAS NA HISTÓRIA - Ed. Abril .

25. “Cabra da peste”
Empregada para designar um indivíduo bom, confiável e, principalmente, corajoso, es­sa locução tipicamente nordestina em nada tem a ver com a coitada da fêmea do bode. Cabra, no Nordes­te brasileiro, é sinônimo de homem.
Assim, é comum na região expres­sões como "cabra bom", para se re­ferir a alguém decente, ou "cabra besta", para alguém considerado um orgulhoso sem razão.
Mas por que "da peste"? A ra­zão é que epidemias eram um mal muito comum na região no come­ço do século 20 e, com a falta de re­cursos da população, tornavam-se muito perigosas e levavam à morte.
Dessa forma, quando alguém ficava doente, todos se afastavam com medo de serem contaminados pelo "cabra da peste". A expressão acabou, mais tarde, tornando-se si­nônimo de alguém que, por sua va­lentia, causa medo nas pessoas, a ponto de afastá-Ias. LL. (AVENTURAS NA HISTÓRIA - Ed. Abril)


26. “Cor de burro quando foge”
 Frase é inspirada em ditado centenário
Várias espécies animais se trans­formam quando ameaçadas. O ca­maleão muda de cor. O polvo solta uma tinta escura que funciona como camuflagem. Não é esse o caso do burro. Portanto, a frase, muito usada em todo o Brasil para tratar de uma cor indefinida, não tem explicação no comportamento do bicho. A resposta mais provável para a origem do termo está em um registro feito no começo do século 20 pelo gramático Antônio de Castro Lopes (1827-1901), que docu­mentou o uso popular da construção "corro de burro quando foge". A repe­tição provocou uma frase que não faz o menor sentido, e que mesmo assim ficou consagrada. JUAN TORRES. (AVENTURAS NA HISTÓRIA - Ed. Abril)
 

27. “Onde Judas perdeu as botas”
 Lenda sobre o apóstolo deu origem à expressão
A Bíblia não faz nenhuma refe­rência às botas de Judas, o apósto­lo que, de acordo com os relatos do Novo Testamento, entregou Jesus Cris­to aos guardas romanos em troca de 30 moedas de prata - e depois, arre­pendido, acabou se enforcando.
Mas, de acordo com uma lenda popular, Judas escondeu seus calça­dos junto com o dinheiro, e esse local nunca foi encontrado. Daí que "onde Judas perdeu as botas" faz referência a um local difícil de ser encontrado. "Muitas vezes, algumas expressões idiomáticas ganham corpo baseadas em crenças da religiosidade popular, sem ter tradição bíblica ou teológica", diz Josias da Costa Júnior, mestre em Ciências da Religião da Universidade Estadual Paulista (Unesp). J.T. (AVENTURAS NA HISTÓRIA - Ed. Abril)
 

28. “Negócio da China”
Expressão surgiu com as Guerras do Ópio
Não é necessário ter muita ima­ginação para pensar no potencial de venda de qualquer lojinha em um país com 1,3 bilhão de pessoas. É por isso que, tanto hoje como no passado, os grandes países produtores querem atuar na China. No século 19, esse mercado gigantesco foi assediado pela Inglaterra, que estava no auge da Revolução Industrial e precisava de consumidores para seus produtos.
 Só que era difícil ter acesso ao país, que permanecia fechado ao Oci­dente. O jeito foi partir para a briga. Nessa época, aconteceram as Guerras do Ópio, em duas etapas (1839-1842 e 1856-1860). Vitoriosos, os ingleses impuseram o monopólio da comer­cialização do ópio com os chineses e ainda ocuparam a ilha de Hong Kong, só devolvida em 1997. Um negócio da China mesmo. JUAN TORRES. (AVENTURAS NA HISTÓRIA - Ed. Abril)
 

29. “Uma andorinha só não faz verão”
Frase vem de livro do filósofo Aristóteles
Geralmente, as expressões idiomá­ticas têm origem popular. Não é este o caso. A primeira menção conhecida ao ditado está no livro Ética a Nicômano, de Aristóteles (384-322 a.C.). Na obra, o filósofo grego escreve que "uma andorinha só não faz primavera", no sentido de que um indivíduo não deve ser julgado por um a.t° isolado.
 A escolha da andorinha não é ca­sual. Na busca por calor, essas aves sempre voam juntas, em grupos de até 200 mil animais. As maiores aglome­rações de andorinhas são vistas nas Américas. Em outubro, quando come­ça a esfriar no norte, elas percorrem 8 mil quilômetros até a América do Sul, de onde voltam em abril. J.T. (AVENTURAS NA HISTÓRIA - Ed. Abril)
 

30. “Cair nos braços de Morfeu”
Frase é inspirada no filho do deus grego do sono
De acordo com a mitologia da Gré­cia antiga, Morfeu era um dos mil fi­lhos de Hipno, o deus do sono. Assim como o pai, era dotado de grandes asas, que o transportavam em poucos instantes, e silenciosamente, aos pon­tos mais remotos do planeta.
O nome Morfeu quer dizer "a forma" e representa o dom desse deus: viajar ao redor da Terra para assumir feições humanas e, dessa maneira, se apresentar aos ador­mecidos durante os seus sonhos. É por isso que se costuma dizer, há vários séculos e nas mais diversas línguas: quem cai nos braços de Morfeu faz um sono tranquilo e reconfortante, como se realmente estivesse na companhia dessa di­vindade. ÉRICA GEORGINO. (AVENTURAS NA HISTÓRIA - Ed. Abril)
 

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