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sábado, 10 de março de 2012

Expressões populares (Parte III)


13. “Perder as estribeiras”
Expressão surgiu nos jogos de cavalaria
 Quando uma pessoa se descon­trola ou fica momentaneamente de­satinada, dizemos que ela "perdeu as estribeiras". A origem dessa expres­são está nos jogos europeus de cavalaria dos séculos 15 a 17. Literalmen­te, perder as estribeiras significava ficar sem contato com os estribos, aros que pendem de cada lado da sela do cavalo e são utilizados como ponto de apoio para o pé do cavaleiro.
 Nas antigas corridas de argoli­nhas, torneios em que os cavaleiros a galope precisam atingir com a pon­ta de uma lança as argolas pendu­radas em fios, perder as estribeiras desclassificava automaticamente os cavaleiros do páreo. Já nas corridas de cavalos sertanejas do Brasil, quem co­metesse esse erro era zombado e tinha que pagar a bebida dos companheiros como castigo. LÍVIA LOMBARDO. (AVENTURAS NA HISTÓRIA - Ed. Abril)


14. “Da pá virada”
 Era assim que se falava de uma pessoa desocupada
 Atualmente, a expressão "da pá vi­rada" pode ser usada com vários signi­ficados bem diferentes. Ela serve, por exemplo, para qualificar uma criança travessa e inquieta. Também se fala assim de pessoas de má índole e que são criadoras de casos. Além disso, a frase ainda pode servir para elogiar indivíduos corajosos e competentes.
Em sua origem, porém, essa frase tinha um único significado. Uma pá de pedreiro virada, voltada para o solo, é um instrumento inútil, sem nenhuma serventia. Assim, a construção verbal era utilizada para designar indivíduos vadios, sem ocupação, que não traba­lhavam e, da mesma maneira que uma pá virada, não serviam para nada. De acordo com o historiador Luís da Câmara Cascudo (1898-1986), a ex­pressão é brasileira, e provavelmente surgiu no século 19. L.L. (AVENTURAS NA HISTÓRIA - Ed. Abril)



15.“Quebrar o galho”
Duas histórias explicam a origem da expressão
Quando alguém nos ajuda a re­solver um problema, dizemos que essa pessoa nos "quebrou um ga­lho". Existem duas versões diferen­tes para explicar a origem desse re­gionalismo tão usado no Brasil. Um dos significados da palavra galho é "conjunto de riachos que se reúnem para formar um rio". Assim, para os viajantes, "quebrar um galho" significa abrir um caminho em um afluente de rio para desembocar de forma mais rápida no rio principal.
A segunda versão está ligada a Exu Quebra-Galho, entidade da umbanda que, acredita-se, exerce forte domínio sobre as mulheres. Exu é procurado por muitos homens para "quebrar galhos" amorosos com trabalhos de amarração. LÌVIA LOMBARDO. (AVENTURAS NA HISTÓRIA - Ed. Abril)



16. “De araque”
Insulto está ligado a bebida alcoólica árabe
Uma coisa "de araque" é sem valor ou de mentira. A origem desse insulto está em uma bebida chamada "arak", trazida ao Brasil por imigrantes ára­bes de origem não-muçulmana. Trata-­se de um licor de alto teor alcoólico, que, puro, pode chegar a 80% de álco­ol. Em geral, ele é diluído em água.
 Por ser muito forte, o drinque é capaz de provocar grandes bebedei­ras em pessoas não acostumadas. AI­coolizadas, elas começam a falar bes­teiras. Daí o surgimento da expressão pejorativa "de araque" para se referir a algo que é tão desacreditado quanto uma pessoa de porre. L.L. (AVENTURAS NA HISTÓRIA - Ed. Abril)


 17. “ Olha o passarinho”
Ave na gaiola deixava criançada imóvel na hora da foto
 Quando a fotografia foi inventada, a im­pressão da imagem no filme não se da­va rapidinho como hoje. Ver a foto nu­ma telinha digital segundos após ela ser tirada, podendo apagá-Ia e fazer de no­vo se alguém piscou, tampouco passava pela cabeça dos fotógrafos. Por isso po­sar era um processo bastante lento.
Na metade do século 19, os fotogra­fados tinham de permanecer parados por até 15 minutos a fim de que sua imagem fosse impressa dentro da má­quina. E fazer as crianças ficarem imó­veis por tanto tempo era um verdadei­ro desafio. Por isso, gaiolas com pássa­ros ficavam penduradas atrás dos fotó­grafos e chamavam a atenção dos pe­quenos, tornando mais fácil a brinca­deira. Assim, a expressão "olha o passa­rinho" ficou conhecida como a frase di­ta pelo fotógrafo na hora da pose. A.L. (AVENTURAS NA HISTÓRIA - Ed. Abril)


18. “As paredes tem ouvidos”
 Expressão se originou de um antigo provérbio persa
 Tanto ocidentais quanto orientais con­cordam com a expressão que alerta para os perigos de sermos escutados sem saber. O dito existe, nessa mesma for­ma, em línguas como alemão, francês e chinês. Sua origem remonta a um anti­go provérbio persa que dizia: "As paredes têm ratos, e ratos têm ouvidos".
Um dos primeiros registros de provér­bio semelhante em inglês aparece no clás­sico medievalThe Canterbury Tales, es­crito por Geoffrey Saucer entre 1387 e 1400. Saucer descreve algo como "aque­le campo tinha olhos, e a madeira tinha ouvidos" em um dos contos.
A expressão ganhou um sentido quase literal, que pode ser teste­munhado até hoje em castelos me­dievais e, principalmente, palácios re­nascentistas. Muitos deles - como o Palácio dos Doges, em Veneza, Itália ­escondem dutos e aberturas pelas pare­des, construídas na época para possi­bilitar a audição, em outras salas, de encontros políticos a portas fechadas. ADRIANA LUI. (AVENTURAS NA HISTÓRIA - Ed. Abril)

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