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sábado, 31 de março de 2012

De onde vem algumas expressões populares? (Parte VI)


Compartilho mais algumas expressões interessantes da linguagem que circulam entre nós e que marcam a riqueza histórica de nossa língua.Nesse final de semana publico a sexta e penúltima parte. Expressões como: a preço de banana; sair à francesa; cavalo paraguaio; bode expiatório, chorar as pitangas e na rua da amargura, estão definidas. 

Uma das principais fontes de pesquisa foi o  Site do Prof Nélson Sartori que resgata os conceitos de revistas especializadas como LÍNGUA PORTUGUESA – Ed. SEGMENTO e AVENTURAS NA HISTÓRIA - Ed. Abril   

31. “A preço de banana”
Portugueses criaram a expressão no Brasil
Usamos a frase "a preço de bana­na" quando encontramos um artigo com preço baixo, mas tão baixo, que nem dá vontade de pechinchar. Essa expressão remonta ao descobrimen­to do Brasil: ao chegar aqui, os por­tugueses encontraram bananeiras produzindo naturalmente, sem que fosse necessário plantá-Ias.
 Durante a colonização, era comum encontrar a fruta em propriedades agrícolas e quintais, pelo simples mo­tivo de que as bananeiras são plantas de fácil cultivo em climas quentes e úmidos. A abundância fez com que a fruta não atingisse altos valores comerciais, e assim a banana virou sinônimo de produto barato. E.G. (AVENTURAS NA HISTÓRIA - Ed. Abril)


32. “Sair à francesa”
A França detesta a expressão portuguesa
Quando alguém vai embora de fininho, dizemos que "saiu à france­sa". O único consenso a respeito da origem da expressão é que ela já era recorrente em Portugal no fim do sé­culo 18. Décadas depois, os especia­listas decidiram que a frase era uma derivação da palavra "franquia", um imposto sobre exportação cujo paga­mento agilizava a saída dos portos.
 Uma segunda tese diz que a frase surgiu na época em que a língua fran­cesa era muito pouco conhecida em Portugal. Por isso, dava no mesmo deixar uma reunião sem se despedir ou dizendo "adieu". Os franceses é que não gostaram nada da frase. Para eles, "sair à francesa" virou "sair à inglesa". Isso é que é política de boa vizinhança! LÍVIA LOMBARDO. (AVENTURAS NA HISTÓRIA - Ed. Abril)


33. “Cavalo paraguaio”
Frase usada no futebol teve origem no turfe
Quem é fã de futebol provavel­mente já chamou de "cavalo pa­raguaio" um time que começa um campeonato vencendo as partidas, mas perde desempenho ao longo dos jogos. A expressão nasceu no turfe, que utilizava a frase com o mesmo sentido. Ao longo do tempo, ela se transferiu para o mundo da bola.
 Mas por que paraguaio? A nacio­nalidade dada aos pobres cavalos e times de futebol que decepcionam a torcida vem do fato de nós, brasileiros, atribuirmos uma péssima fama aos produtos vindos do Paraguai. Seriam sempre objetos falsificados, que pare­cem funcionar bem no começo, mas logo apresentam problemas. L.L. (AVENTURAS NA HISTÓRIA - Ed. Abril)


34. “Bode expiatório”
Antigos rituais judaicos inspiraram a expressão
Atualmente, chama-se "bode ex­piatório" uma pessoa inocente sobre quem recai a culpa de algum acon­tecimento ou calamidade. A origem dessa expressão está registrada na Bíblia (mais precisamente no livro Levítico, capítulo 16) e remete a um antigo ritual da tradição judaica denominá-lo "Dia da Expiação". Funcionava assim: os sacerdotes levavam ao templo de Jerusalém dois bodes. Por sorteio, escolhia-se um deles para ser degolado e quei­mado em sacrifício ao Senhor, o outro animal recebia todos os pecados cometidos pela comunidade. O sacerdote colocava a mão sobre a cabeça do bicho e confessava as faltas das pessoas. Logo depois, o bode era abandonado ao relento no deserto. Com isso, o povo de Israel ficava purificado. LÍVIA LOMBARDO. (AVENTURAS NA HISTÓRIA - Ed. Abril)


35. “Chorar as pitangas”
Frase é versão brasileira de um provérbio português
Desde suas origens, essa expres­são tem o sentido de "queixar-se", "lamuriar-se". Ela surgiu no Brasil como uma adaptação, influenciada pelos povos indígenas, de uma frase portuguesa muito usada entre os lusi­tanos: "chorar lágrimas de sangue".
Na língua tupi, a palavra "pitan­ga" significa "vermelho". Assim, cho­rar as pitangas seria o mesmo que verter muitas lágrimas, até os olhos ficarem avermelhados. De acordo com o folc1orista Luís da Câmara Cascudo, em seu livro Locuções Tra­dicionais do Brasil, "a imagem asso­ciada impôs-se: 'chorar pitanga' pelo lusitano 'chorar lágrimas de sangue', na sugestão da cor". L.L. (AVENTURAS NA HISTÓRIA - Ed. Abril)


36. “Na rua da amargura”
 PALAVRAS QUE TÊM ORIGEM NA AGONIA, NÃO SÓ QUANDO RELACIONADAS À MORTE
 Estar na "rua da amargura" é padecer de grande sofrimento, en­frentar dissabores na vida. A ex­pressão alude à caminhada de Cris­to, coroado de espinhos e vergado por pesada cruz, desde o Pretório de Pilatos - onde foi condenado - até o alto do Calvário, onde foi crucificado. Calvário,Calvaria em latim, é Golgota aramaico. Em grego, é Kraniou Topos, a colina ou platô onde havia            uma pilha de crânios - ou o aci­dente geográfico parecido com um crânio; calva é o crâ­nio, como você sabe.
 Esse tenebroso percurso, reverenciado pela Igreja como Via Sacra, possui 14 esta­ções, cada uma descrevendo uma cena da Paixão que deve merecer contrita me­ditação do fiel católico.
Truculentos soldados roma­nos açoitando Cristo, a terna presença de Maria, o socor­ro de Simão Cireneu e o alívio dado por Maria Madalena.
Na linguagem comum, e mal comparando com tamanho padecimen­to, também nós, pobres humanos, co­nhecemos momentos,de aflição e so­ mos obrigados a cumprir trajeto áspero e doloroso. O lenitivo,          nessas jornadas, é recordar o antigo ditado de que, as­ sim como não há bem que não se acabe, não há mal que sempre dure.   Márcio Cotrim. (LÍNGUA PORTUGUESA – Ed. SEGMENTO )

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